domingo, 4 de junho de 2017

29

Eita coisa esquisita esse último vinte. A gente vai ganhando idade e experiência e cada vez mais menos definições. Os conceitos vão se misturando, se dissolvendo, se modificando. Às vezes é bom, mas às vezes é solitário. Os riscos são diferentes. Há mais prudência... e mais dor. Mais prudência deveria significar menos dor, eu acho. Mas não é bem assim. 29, bicho. Tem TANTA coisa aqui dentro, tanta voz calada, tanta insegurança, tanto medo. Eu sinto tanto. E ando triste. Que pena.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

melhor deixar pra lá

É só tentar entender o que se sente para uma crise começar. Porque o sentir acontece. Ele vem, você pergunta: por quê? Neste momento, você assina um tipo de pacto com a tristeza. Ela não menciona quanto tempo vai ficar por perto, tampouco o propósito de ter chegado, mas você sabe que ela vai ficar. E você sente tanto que transborda. Você chora ao ouvir uma música, ao ler um e-mail, ao encontrar uma foto, ao se lembrar... do que passou, de quem você foi, de quem você é, de quem já não está, do que poderia. Você chora pela incerteza, pelas decisões, pela consciência. E você até procura falar com alguém, mas o entendimento se faz inaudível porque a tristeza, insistente e tagarela, não dá espaço. Então como começar? Melhor deixar pra lá... 

Perguntar "por que" é enxergar o nó. Desfazê-lo demanda paciência. Dá preguiça, vontade de... não. Não dá vontade. A sorte é que, assim como o sentir, a vida acontece... esperança de que os nós vão se afrouxando conforme o tempo passa. Mas se nada acontecer, a gente escreve.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

And gives me reason to endure whatever comes

Hoje revi uma amiga que chegou da Holanda. Ela passou um ano lá e nos falamos bem menos do que costumávamos quando ela estava aqui - mais por culpa minha do que dela, confesso. Acho que essa coisa de distância e saudade e manutenção de relações é uma parte difícil da minha vida. Fato é que ela - minha amiga - está muito diferente, mais confiante e feliz - maior. Viagens nos transformam mesmo, mudanças... tudo isso era esperado. 

O que eu gostei, de forma absolutamente narcisista, licença, foi de ver o quanto eu mudei também. Ainda que no Brasil, em Amparo, onde, juro, não acontece muito... muito aconteceu em mim. Estou mais confiante e feliz - maior. Daí me peguei pensando que a vida acontece em nós, que de alguma forma a menina que foi para Amsterdam e voltou diferente não encontrou a mesma menina / mulher (ainda tenho crise com isso) que ficou. Foram experiências e escolhas diárias que nos fizemos quem somos. Que bom.

Todos os dias temos que escolher. E isso vai do que vestir, comer, dizer até o que fazer com o que sentimos. O caminho pelo qual vamos pro trabalho, acelerar ou frear no farol (sim, farol) amarelo, mandar ou não mensagem para alguém, passar ou não no supermercado antes de ir pra casa... Escolhemos desde o mínimo. E o que porventura fugir das nossas decisões e simplesmente acontecer vai exigir de nós uma escolha quanto ao que fazer a respeito. Não importa onde você esteja. 

O que eu quero dizer, ainda "narcisamente" falando, é que sinto orgulho de mim. Sinto orgulho do que escolho fazer da minha vida todos os dias.

E você, o que sente hoje?

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

"Life was a party to be thrown, but that was a million years ago"

Por alguma razão que desconheço, talvez porque já tenha sido bem mais esperta tecnologicamente falando, meu celular brotou com fotos de milhões de anos atrás. Algumas surpresas, umas boas risadas e uma esquisita constatação de que tudo passou. Óbvio, o tempo passa, mas não é do tempo que estou falando hoje.

Pessoas de lugares diferentes, épocas diferentes e muita importância para mim... passaram. Eu chorei e sorri e aprendi e briguei e sonhei com muita gente que apareceu ali, e hoje... onde é que está a maioria dessas pessoas? Algumas ainda comigo, algumas fora do Brasil, outras fora de alcance. O que é que a gente faz da vida ou o que é que ela faz da gente que, quando se vê, tudo mudou sem nada nunca mudar? 

Como é que, de repente, sem repente, a gente não cabe mais na vida de alguém ou ele na nossa?! Por quê? Se era tão bom e tão verdadeiro e intenso e tão para sempre, como é que foi acabar? É saudosismo idiota, meio que uma lamentação porque a vida andou e só agora, teoricamente meio velha pra isso, é que fui entender que tudo é cíclico e que as pessoas vão e vêm. Gente mais presente e importante é "nova", enquanto que pessoas que tiveram todo nosso coração são desconhecidas. 

Será que só eu tenho uma ternura eterna pelo que se foi? Será que todo mundo se esquece? Será que a gente vive tanta coisa pra depois viver só ou para uma pessoa só? 

Sei lá. 


"I know I'm not the only one who regrets the things they've done. 
Sometimes I just feel it's only me who never became who they thought they'd be." 
Adele

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Feliz - Por-que(?) sim!

Fazer 27 foi... esquisito. Tive a maior crise existencial da minha vida, agora um pouco mais longa, e o maior inferno astral (se é que isso existe) de todos os tempos. Estava me sentindo abaixo do que deveria, tendo muito menos do que uma pessoa de 27 anos deveria ter. Ou que eu enfiei na minha cabeça que seria esperado de alguém com 27 anos. Como a vida é foda e adora, sem a menor delicadeza ou pudor, enfiar um tabefe na nossa orelha e calar a nossa boca, percebi que nunca tive tanto. 

Fui bombardeada por carinho. Carinhos. Muitos. De toda parte, de toda forma, de gente que nem imaginava ser possível. Percebi que venho plantando bons amigos, boas risadas, boas memórias e isso faz de mim um ser fudidamente feliz! Senti uma gratidão maior do que consigo expressar pelos meus tão temidos e esquisitos 27 anos de vida. Todos os desconfortos que já senti dentro dessa pele ficaram pequenos perto do amor que me percebi capaz de sentir. 


Daí eu li um trem que dizia que a gente é despreparado para a felicidade poque aprende que a felicidade é um direito. Na verdade, li só a headline e me dei o direito de entender o que aquilo me despertou. E eu acho que a gente é muito errado de ensinar para as pessoas que elas devem conquistar coisas para serem felizes. O negócio devia ser tido como um dever, tão fundamental quanto qualquer outro valor que a gente transmite: escolher uma profissão e virar gente grande para construir a sua própria vida. "Sabe o que eu espero de você, filha? Que você faça e se faça sorrir, que você tire algo de bom das situações mais duras, que você se entristeça às vezes para entender o gosto bom da vida, que você faça o bem, queira o bem e se sinta FODA por causa disso, que você se ame e se cuide com carinho, que você seja a luz que quer ver nas coisas e que, por fim, você entenda que merece a felicidade por estar viva. Que esse é o grande feito, o grande lance. O resto é bônus."

Ah, quanta crise pré 27 poderia ser evitada se a gente soubesse disso logo. 

Agora eu sei!


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Nó.

Estive em São Paulo no último sábado, fui visitar minha avó. Ela passou por uma cirurgia por conta de um câncer avançado e recém descoberto. Dona Terezinha sempre foi uma fortaleza, piauiense porreta, decidida, forte e desbocada. Quando eu entrei na casa dela foi como se tirassem de mim, sei lá, o chão! Ela está muito bem cuidada, mas não lembra nem de longe aquela minha vó Tereza. Cama de hospital, fraudas, dificuldade de movimentação, paralisia parcial, fala comprometida. Deu nó na minha garganta. Dirigi de volta pra Amparo com aquela sensação de: putz, será que vejo minha vó de novo? 

Nó.

Em Amparo, desabei. Chorei que nem criança birrenta que fica sem pirulito. Não, chorei mais. Chorei que nem gente que perde gente. Muito. Mesmo. Com todo o meu coração. Como diabos é que a vida revira nisso? Sabe o que Dona Tereza me disse? - "Minha filha, a minha sorte é que vocês me amam e cuidam de mim". Porra, vó! É isso! É amor que importa! Só ele. Nas mais diversas formas, das mais diversas fontes. 




Eu amo mais. Sou sempre o lado que ama mais em todas as relações, eu acho. E isso sempre foi um pouco pesado pra mim. Sabe aquela sensação de vulnerabilidade, de que as pessoas tem o poder de esmagar seu coração? Vivo nela. E às vezes elas esmagam mesmo. E aí sobro eu, aquele amor e um buraco. Às vezes as pessoas vão embora. Às vezes elas não gostam mais da gente. E eu sempre me achei azarada porque, se eu amo mais, sou eu quem fica. Sou eu quem sente. Sou eu quem chora. Mas veja, eu também sou sempre a que nunca está desamparada. Sempre encontro uma mão estendida, um abraço. E o que é isso se não o que a vó Tereza tão sabiamente me ensinou? É o amor que volta. Às vezes de outra forma, Às vezes em outra hora. Às vezes e especialmente fora do meu entendimento.  

Se meu problema é amar além, que seja. É o que vai ficar de mim...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Obsoleta

Há pouco mais de 6 anos esse blog nasceu com o simples intuito de que os amigos distantes soubessem de mim. Eu me mudava de Brasília e, como em toda mudança, havia troca de promessas. Não cumpri algumas delas e nem eles, certamente. Passando os olhos pelos meus textos tive a sensação de me ver crescer. Acho que isso realmente aconteceu. Eu dedicada e apaixonadamente estudava Psicologia. Havia amigos especiais, intensos e inesquecíveis dos quais hoje nem sei. Havia um amor, norte da maior parte da minha escrita. Havia tanta coisa e tanta gente pra quem escrevi. Tantos donos de momentos tão bonitos e, às vezes, tão tristes. Coração aperta e revira ao lembrar. Fica uma nostálgica melancolia na releitura. Eu sinto muito.
Sinto muito mesmo.
Hoje tenho 26 anos e não sou psicóloga, sou professora. Ironia da vida ou uma lição dela, talvez. Em pouco tempo me formo em Letras e, embora sempre tenha gostado de inglês, nunca me imaginei ensinando. O inglês me mudou os rumos, me trouxe outro amor. Alguns sonhos morreram, outros se transformaram e outros nasceram. Não sou a mesma pessoa, mesmo. Mas se disser que sei exatamente quem sou ou o que quero, é mentira da brava! Estou tentando todos os dias. Experimentando como me sinto e só então decidindo o que me cabe ou não. Estou, provavelmente, bastante atrasada em relação às pessoas com as quais convivi. Elas se mexeram e se mudaram e construíram e eu... ainda não descobri... Ainda tenho tantos não ditos e não resolvidos sentimentos. Tantas dúvidas que a falta de coragem me impediu de esclarecer. Ainda tenho tanto amor. Eu ainda sinto muito.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ab(surda)

Saudade de escrever - da minha capacidade de sentar-me diante de um papel ou de um computador e produzir algo que me explique pra mim mesma. Acho que me perdi. Quanto mais eu vivo e mais descubro a meu próprio respeito, menos sei de mim e menos certa estou. E num exaustivo processo de consecutivas tentativas de me encontrar, encontrei você. Encontrei vocês. Encontrei vocês que tanto e sempre contribuíram para que eu não soubesse, não conseguisse, não acreditasse. Encontrei vocês, progenitores das minhas dores, dúvidas, inseguranças, medos e incertezas. Encontrei vocês que tão pouco e tampouco me amaram. Fazia tempo... Como vão? Ainda bem acomodados?

E conhecendo tão bem cada maldito canto da minha alma, quem sabe vocês podem me ajudar com isso: como diabos me encontro aqui dentro? Por que não deixo de ouvir suas vozes? E quem é que eu sou mesmo?

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Emocionalizando razões

Conversando com uma amiga que estava confusa por achar meio absurdo sentir falta de alguém que viu poucas vezes na vida, eu disse: é meio natural. É alguem que te fez sentir quando você achava que não sentir nada era o normal. E o negócio engraçado a respeito dos sentimentos é esse: não tem motivos.

Digo, claro que tem uma razão. Tem uma razão pra tudo, como bem explicaria Freud. Mas o lance dos sentimentos é a vasão do que você mesmo desconhece. É a transpiração involuntária do que se tem por dentro. Somos lutadores contra nós mesmos quando tentamos refutar o que sentimos. E isso é igualmente assustador e bom.

A vida tem uma forma meio esquisita de esfregar as verdades na nossa cara. Ainda assim, insistimos em continuar confortáveis. Sem nos dar conta de que pertencemos àquilo que nos tira o chão e aguça nossos sentidos. Pertencemos às emoções. Eu pertenço, ao menos.

Racionalização é parte indissociável da natureza humana e produz muitos (e às vezes bons) efeitos também. Mas quando aquilo que você sabe ser certo é combinado ao que você sente ser certo... Aí, meu amigo, prepare-se para a felicidade.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Que a vida leve o que não for leve, amém.

Que os ventos novos de ano levem embora o que vem doendo no coração. Que tragam novos sonhos e novas esperanças e novas forças. Limpeza. É o que desejo que haja em mim quando o relógio marcar 23:59h pela última vez neste ano. Não posso mais com antigas dores e marcas e expectativas. NOVO. Ano NOVO em mim. Que assim seja.